segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

PROJECTO LARA

 

Os incêndios registados no concelho no passado mês de Julho conduziram muitas famílias a situações de grande vulnerabilidade económica e social. Das várias necessidades identificadas há uma área que se revela como prioritária – a reabilitação das habitações. De imediato se estabeleceu com protocolo de compromisso com o Estado português para intervir sobre as áreas ardidas. Desse nasceu um Contrato Local de Desenvolvimento Social, cujo projeto de intervenção tem o nome “LARA”. Este é o nome da criança mais jovem de toda aquela zona. Quer representar a esperança que todos temos para o futuro.



Vamos precisar de voluntários para retirar todo o lixo, telhas, pedras e deixar limpo de forma que "seja só" levar a respectiva telha/cobertura! São várias casas/anexos, para breve mais informações (Procurem no Facebook o grupo Voluntariado no Algarve para mais informações) ou em:
 http://www.cm-sbras.pt/NR/rdonlyres/DCFCB7B2-7B0A-458B-8942-25003DEDC3B6/0/Folheto_Lara.pdf

As acções de limpeza vão realizar-se a partir de Janeiro! Vamos organizar também actividades culturais e desportivas de forma a trazer animação à Serra!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Norte de África e outros..

Temos assistido ultimamente à contestação que sucede em cadeia nos países do Norte de África e são sobejamente conhecidas as implicações que isso trará para o Mundo, Europa (devido à sua proximidade geográfica)...e, em particular, a Portugal e Espanha, pela dependência energética desses países. “Wafa Sultan é uma psiquiatra norte-americana nascida na Síria (no seio de uma família muçulmana Alauíta), e que ganhou fama pelo mundo devido à sua visão pessoal, polémica, pungente e vincada do islamismo. A Fevereiro de 2006, Wafa Sultan participou no "A Direcção Oposta", um debate semanal de 45 minutos organizado pela Al Jazeera. Falou a partir de Los Angeles e defendeu o seu ponto de vista com paixão, convicção e alma perante a oposição do apresentador Faisal al-Qassem e de Ibrahim Al-Khouli sobre a teoria do Choque de Civilizações de Samuel Phillips Huntington (um cientista/político falecido a 24 de Dezembro de 2008) que desenvolveu uma forte e muito conhecida tese da nova ordem mundial do pós-guerra fria”
(http://papirogustativo.blogspot.com/2011/02/entrevista-de-wafa-sultan-sociologa.html).

Acho que vale a pena ver e comentar:

http://www.youtube.com/watch?v=nILpkAR_zgw&feature=player_embedded

opinião: não deixa de ser engraçado ver os líderes polícos da europa e EUA muito preocupados com a situação do Egípto e com a sua população, requererendo uma transição rápida para a democracia, quando defenderam e protegeram estes regimes totalitarístas durante anos e anos (e continuam em Marrocos, Libia, etc...)

Já agora, algo que não tem nada a ver (ou tudo tendo em conta sociedades mais sustentáveis)... mas certamente mais local e positivo, um email que recebi:

Directamente da Horta para o Consumidor 

O projecto PROVE – Promover e Vender, está a ser dinamizado no Algarve pela associação In Loco. Este projecto pretende mobilizar grupos de pequenos agricultores, para que possam comercializar as suas produções à escala local e vender directamente ao consumidor.

É uma modalidade de comercialização de circuito curto, entre pequenos produtores e consumidores, de modo a resolver os problemas de escoamento dos produtos locais e melhorar as relações de proximidade entre quem produz e quem consome. É um projecto de Consumo Responsável! No Algarve já foram constituídos três núcleos PROVE em Loulé, São Brás de Alportel e Tavira. Todos nós somos consumidores, todos nós estamos interessados por uma alimentação mais saudável. Este projecto interessa-lhe também porque é consumidor. Escolha o ponto de entrega de cabazes mais perto de si.

Informações no site da Associação In Loco (http://www.in-loco.pt/) ou do projecto PROVE-Promover e Vender (www.prove.com.pt). Se pretenderem encomendar um cabaz prove contactem a associação. Podem também fazê-lo através do site: www.prove.com.pt.

Abraços

André

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

site interessante

Olá!
Conseguimos (ISU) postar algo no blog!Maravilha!

Esperamos em breve poder participar com coisas interessantes!

ISU Faro

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Observar e Absorver por Eduardo Marinho

"Endendendo a estranheza"
"Vi serem divididas comigo, quando andei no nível da mendicância, refeições paupérrimas. Fui abrigado no cantinho do casebre, dormi em capim fresco improvisado, sobre o chão batido. Ou pendurado nos caibros, em redes. Sob o teto precário de ruínas, casas abandonadas, construções, compartilhei comidas preparadas em latas quadradas de óleo, em fogueiras improvisadas. Em cidades, nos acostamentos e postos nas estradas. Fui hospedado em palafitas onde se ouve o barulho da merda batendo na água, quando se usa a “casinha”. Vi a parte abandonada dessa nossa humanidade, a parte enxotada dos benefícios da sociedade, escorraçada, roubada e ainda perseguida. E vi brotar na lama fétida, sobre a qual se construiu a estrutura social, o lírio lindo e perfumado da solidariedade, da generosidade, do altruísmo inacreditável que as dores implacáveis despertam. Eu não estava ali sofrendo por mim. Por mim, eu estava aprendendo avidamente, observando as vivências, ainda sem entender, mas sentindo, profundamente, o que nunca havia sentido. Sentindo o sentimento das pessoas, o sentimento dos lugares, o sentimento do mundo e da humanidade à qual pertenço. Absorvia os códigos, os valores, as fragilidades, os saberes e as sabedorias. Aprendi a admirar o heroísmo dos desprezados, aprendi a distingüir seu caráter, a individualizá-los. Reconheci enormes riquezas sob a capa da miséria. Sofri com as injustiças que nem os próprios miseráveis percebiam, embora as sofressem – e aprendi que era melhor esconder meu sofrimento. Os irmãos sacaneados são acusados por sua própria desgraça. As causas se esfumaçam no ar, com o controle do ensino e das comunicações, com o trabalho competente de publicitários, artistas, jornalistas, entre tantas profissões utilizadas contra a maioria, os povos, em favor de poucos.


Deve ser por isso que me causa tanto desconforto o uso, a presença, a proximidade ou a simples visão do luxo, da ostentação, de privilégios. Áreas privadas, seguranças, nobrezas, refinamentos, sofisticações, tudo passou a me parecer uma pantomima ridícula, primitiva, disfarces esfarrapados da nossa desumanidade, da indiferença que somos capazes, em nossa sede de privilégios e superioridades que denunciam a real inferioridade de espírito. Eu disse que me causa incômodo, não raiva. Meus sentimentos têm origem nas situações, não nas pessoas. Essas me causam uma certa tristeza, por inconscientes, por infantis, por superficiais, por iludidas.

Meu desconforto é moral, humano, pela ligação do luxo à miséria, pela inevitável relação do privilégio com a carência. Um sentimento que não se transfere às pessoas, mas às mentalidades, que não procura culpa, mas responsabilidades, nesta sociedade de miséria material e moral. Não é à toa a falta de sentido na vida da esmagadora maioria. Só os mais grosseiros podem se satisfazer com a abastança, com o usufruto, com o consumo. A insatisfação é clara.

Não espero encontrar meus sentimentos, pensamentos e opiniões em outras pessoas – embora, de raro em raro, aconteça. Se me desse ao trabalho e à arrogância de condenar valores e comportamentos dos quais discordo, viveria em conflitos pessoais, alimentaria sentimentos nocivos e desagradáveis e não teria tempo, nem espírito, para fazer os trabalhos que gosto e dão sentido à minha vida.

Não posso recomendar, nem pretendo voltar às situações de miséria material – onde, na verdade, nunca me senti, apesar dos anos e anos nestas situações. Mas não consigo ver valor no luxo, no excesso, na ostentação e no desperdício. A ligação do valor material ao valor pessoal é de um primitivismo constrangedor. Expressões de insensibilidade, de sub-humanidade.

Fui considerado um cara estranho, incômodo ou simplesmente um chato, principalmente dos 15 aos 19 anos, no meio social de classe média-alta, onde nasci e vivi. Muitas vezes pensei que eu deveria ter alguma coisa errada, por ter vergonha do que os demais ostentavam com orgulho. Por questionar sentimentos de superioridade e tratamentos grosseiros contra serviçais e pobres em geral. Eu causava estranheza e me sentia estranho. Hoje posso entender tranqüilamente e me dar razão, naqueles meus parcos 19 anos, com a vivência que hoje completa o 50º ano desse curso de vida. Entendo e me congratulo comigo mesmo quando, aos 19, depois de ter sido militar, bancário, estudante, mergulhador, vendedor, entre outras coisas, decidi “dedicar minha vida a refletir e causar reflexão, questionar valores vigentes e desenvolver meus próprios valores, a fazer pensar”, numa sociedade em que se fabricam, se impõem e se repetem pensamentos de laboratórios, para que ela seja como é. E saí pelo mundo, para experimentar o que era não ter nada e procurar o sentido de uma vida que, até então, não me parecia ter nenhum sentido. Mochila murcha nas costas, sem dinheiro nem paradeiro, sem parentes além da humanidade inteira."
http://observareabsorver.blogspot.com/
http://www.youtube.com/watch?v=YmxNx2UT5Dk&feature=player_embedded#!

sábado, 25 de dezembro de 2010

África

Não há continente do mundo em que as assimetrias sejam tão evidentes como África por várias razões. Para mim a principal é o seu passado colonial. Porque por muito que possamos ver as mesmas assimetrias na América do Sul e Ásia, África e o povo africano sofreram um êxodo constante das suas populações, a destruição completa das suas tribos e estilo de vida, bem como uma demarcação do seu território feita com régua e esquadro pelos grandes colonizadores (nós Portugueses incluídos). Essa divisão sem critério além de destruir uma identidade cultural,  impediu várias tribos de migrarem anualmente para locais onde pudessem cultivar os seus alimentos, bem como é responsável pelos inúmeros conflitos militares que alastram sobre esse continente. Não só, também a ambição desmedida dos líderes políticos pelo estilo ocidental...mas pelo menos é um motivo a mais para os inúmeros generais facínoras que tomaram conta desse continente.

Pessoalmente, atrai-me nesse Continente a beleza natural que sei que vou encontar, mas também o confronto com a falta de muito que tenho como adquirido.

 

Recentemente vi um documentário sobre a Libéria, que impressiona negativamente pela violência (http://www.vbs.tv/en-gb/watch/the-vice-guide-to-travel/the-vice-guide-to-liberia-1-of-8). É triste nos aperceber da recorrência deste tipo de histórias. Como a do Ruanda, tão bem retratada no filme "Hotel Ruanda" (http://trailers.apple.com/trailers/mgm/hotel_rwanda/), em que 800 mil pessoas foram mortas, sob o olhar indiferente do mundo. Uma guerra e ódio causada por uma divisão racial entre Hútus e Tútsis, perpetuada pelos colonos belgas, que elegeram os Tútsis "mais altos e elegantes” e portanto detentores de privilégios especiais. Mas não revolta só isso...revolta também as políticas da FAO, do FMI, dos poderes das grandes farmacêuticas (bem retratado também no "Fiel Jardineiro" de Felipe Menezes), a existência de bairros de lata como o de Kibera, em Nairobi, o maior bairro de lata de África com cerca de 2 milhões de habitantes, e um dos maiores do mundo (http://www.youtube.com/watch?v=-gFKF9nsPkE&feature=related). Nairobi, a capital do Quénia, tem cerca de 5 milhões de habitantes, sendo que mais de 3 milhões vivem em bairros de lata...

Ao ver este tipo de documentários, filmes, livros, notícias, não podemos deixar de sentir incredulidade e impotência. O que dizer? O que fazer? Perante o saque diários das indústrias petrolíferas na Nigéria? dos diamantes na Angola? dos minérios no Congo?  Mais, saber que o petróleo que é extraído na Nigéria representa 95% das receitas do país. Que a quantidade de gás queimado nesse país corresponde a um quarto da utilização total da Grã-Bretanha. Segundo o Banco Mundial, em cada ano são desperdiçados (???) 40 mil milhões de dólares com a queima de gás natural, sendo esta prática responsável pela emissão para a atmosfera de 400 milhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente. O Banco Mundial recomenda que os produtores aumentem os esforços para melhorar a extracção de gás e o vendam na forma líquida. Mas tal requer que se efectuem os investimentos financeiros necessários. Estamos a falar de uma população que cozinha com lenha...parece inacreditável, mas é verdade.

E não vos parece irónico que os conflitos no leste da República Democrática do Congo se centrem na guerra pela exploração do a coltan e o cobalto, usados na fabricação de telefones celulares, computadores e outros componentes electrónicos?

Que a maioria dos conflitos em África se deva a guerras por matérias-primas usadas em produtos de alta tecnologia ou para sustentar um estilo de vida ocidental que prova estar em colapso dia após dia?

Mas África não é só exemplos de destruição. É o também de esperança. E existem inúmeros exemplos que marcam a diferença. O projecto "Charity Water" por exemplo (http://www.charitywater.org/about/), que se preocupa em angariar fundos para a construção de poços de extracção de água potável, ao angariar os fundos necessários para a sua construção e envolver a população local na sua construção (http://www.charitywater.org/media/videos/projects.php). Este projecto, fundado por Scott Harrison (http://www.charitywater.org/about/scotts_story.php), um Nova Iorquino que vivia da promoção de eventos de moda e de clubes nocturnos, e que se dedica hoje a este projecto de sucesso, é realmente inspirador (>3000 projectos concluídos no terreno, http://www.charitywater.org/projects/). A angariação de fundos (e sua aplicação, que pode ser consultada nos relatórios anuais) e o impacte deste projecto, sobretudo pelo mediatismo que tem em Nova Iorque, está a crescer exponencialmente.

Esperemos que as guerras não venham a destruir o que está a ser construído, pois infelizmente, e até os problemas serem resolvidos estruturalmente (para o qual é necessário eliminar a hipocrisia dos governos ocidentais), África sofrerá sempre na incerteza...mas também nos contagiará com a esperança :)) É isso que eu espero sentir, como voluntário…mas também sinto o medo do impacto que isso me possa causar, pois sei que, dependente das sensibilidades, podemos vir a nos sentir também nós deslocados ao voltar às nossas confortáveis “realidades”.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Simplicidade Voluntária

" O mundo caminha em direcção a uma nova era, em que a comunidade humana terá de trabalhar em conjunto se quiser realizar um futuro de prosperidade sustentável. Esta transição representa simultaneamente um grande desafio e uma extraordinária oportunidade.

Estamos a ser chamados a fazer uma mudança profunda no sentido de estilos de vida "verdes", sustentados por uma democracia madura e guiados pela sabedoria colectiva da ciência e da espiritualidade.

Viver mais simplesmente é viver com mais consciência, maior sensibilidade pela vida e pela vivência directa no mundo. É abrir-nos conscientemente, tão completa, paciente e carinhosamente quanto pudermos, ao milagre incessante da existência vulgar."

Alguns excertos de um livro que, agradavelmente, descobri numa tarde de passeio e pesquisas. Fazendo todo o sentido, resolvi partilhar convosco!

"Simplicidade Voluntária" - Duane Elgin

Sofia.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

On poverty and community empowerment

A Lia Moutselou é uma amiga que recentemente chegou de um voluntariado no Cambodja com a Safe Foundation (http://thesafefoundation.co.uk/index.php/about/). Como penso que a reflexão da Lia está muito relacionado com o que falamos no curso, uma experiência de uma voluntária, gostava de partilhar com vocês este texto. Está em Inglês :))...
 
"Poverty is not just defined by lack of money and security. It can be a state that people or groups of people are put in when they don’t have an opportunity to explore themselves, their potential and their future in the same manner that another group of people does.

So people can be defined as or feel poor when they don’t have the same opportunities as other groups that define themselves or they defined as privileged.  

I guess poverty is really felt and prominent when people can make comparisons with others. This can be caused by societal disparities and inherent contrast. Poverty and particularly feeling poor might be dangerous because it can prevent action,  limit creativity and innovation in communities. It can stop communities from supporting themselves, and lead them to rely on external support.

A community that can support itself and its members is empowered and is less likely to be antagonised by the ‘privileged’. And it might even be able to protect itself from the risk of and impacts of resource poverty. It may also be more succesful in creating opportunities for itself and its members. It can give its members the power and strength to avoid comparisons and dare. To take advantage of opportunities and assistance in a different manner. Assistance can come in monetary form but also importantly can be help with changing attitude. I think it is important to avoid creating dependent communities, to avoid supporting needy and ‘begging’ attitudes. In my view it is important to hand out  knowledge as well as help the cultivation of essential skills (particularly skills that can be transferred to members of communities we assist).

Poverty is hard for me to define. My parents both came from  poor but loving and happy families: I don’t attach the stigma that others do to ‘poverty’. They did suffer at times (particularly my father’s family) and for this reason they made sure that me and my brother were not deprived of basic commodities and education in life. I don’t think poverty is always synonymous with deprivation, despair and unhappiness. I want poverty that endangers the well being, health and safety of children and people eliminated. However, some of those that we would define poor seemed to have a better ‘quality of life’ in terms of family, connections and community engagement.  

The project and people I worked with are dignified and honourable. They support each other.  So the community support system is clearly effective. There were other groups of Cambodian people in  urban areas of Siem Reap who seemed to be in living in a much poorer and deprived state (facing immediate health risks and famine).

I have no conclusions or statements on poverty just thoughts to share. I have a lot to think about."
 
p.s. comentários ajudariam a incentivar o debate. Sei que a Estela está a ter problemas para entrar no blogue (que espero resolvidos) e enviou-me algum material para eu colocar por ela. Vou esperar para saber se sempre conseguiu (pois penso que o material deve ser colocado por cada um). Só uma última nota para a (excelente) comunicação da Rita Beckman (ISU) no encontro organizado pela Associação de Planeamento Familiar (APF) na última sexta feira (no IPJ) sobre os Objectivos para o Desenvolviemento do Milénio.